Neste artigo
- O que é um banco digital, segundo o Banco Central
- Fintechs de crédito: outro tipo de empresa
- Como conferir se a instituição é autorizada
- Proteção do dinheiro: o que o FGC cobre
- O que comparar antes de escolher
- Erros comuns
- Perguntas frequentes
- Banco digital é mais seguro ou menos seguro que um banco tradicional?
- Todo dinheiro na conta digital é coberto pelo FGC?
- Posso ter conta em mais de uma instituição?
- Fontes
Abrir uma conta pelo celular, sem pisar numa agência, virou algo comum. Mas a expressão banco digital engana: ela descreve a forma de atendimento, não um tipo especial de instituição aos olhos da regulação. Entender essa diferença ajuda a avaliar o que está de fato por trás do aplicativo antes de colocar o seu dinheiro nele.
O que é um banco digital, segundo o Banco Central
Um estudo do Banco Central sobre fintechs de crédito e bancos digitais descreve esses modelos como baseados em tecnologia inovadora e no relacionamento com os clientes por canais eletrônicos, sem necessidade de presença física. O mesmo estudo ressalta que o arcabouço regulatório não criou uma regulamentação específica para bancos digitais, e que essa modalidade também não aparece entre os tipos de instituição bancária autorizados pelo Banco Central (Banco Central, Estudo Especial nº 89/2020, p. 1).
Segundo o estudo, quem quer constituir um banco digital precisa, conforme o modelo de negócio, obter autorização para funcionar como instituição bancária (banco comercial, de investimento ou múltiplo). A categoria é autodenominada, como estratégia operacional e de mercado, e o ponto comum é o relacionamento exclusivamente remoto com os clientes. O texto ainda observa que digital é mais uma questão de grau do que de gênero, já que hoje todas as instituições financeiras têm, em maior ou menor medida, essas características.
Na prática, isso muda a pergunta que você deve fazer. Em vez de “é banco digital?”, pergunte “que tipo de instituição é esta e o que o Banco Central autorizou que ela faça?”.
Fintechs de crédito: outro tipo de empresa
O estudo também separa as fintechs de crédito, que incluem as Sociedades de Crédito Direto (SCD) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP), regulamentadas pela Resolução 4.656/2018. Na tabela do estudo, a SCD pode conceder crédito com recursos próprios, enquanto a SEP intermedia operações entre pessoas e não empresta recursos próprios. As duas, segundo a tabela, não captam recursos do público (p. 2). Ou seja, uma fintech de crédito não é o mesmo que um banco com conta corrente e depósitos, e a diferença precisa estar clara no contrato e no aplicativo.
Como conferir se a instituição é autorizada
O Caderno de Educação Financeira do Banco Central orienta conferir se a instituição financeira com a qual você opera é autorizada a funcionar pelo Banco Central, e, no caso de fundos de investimento, se foram autorizados pela CVM (Banco Central, Caderno de Educação Financeira, p. 66). O Caderno também alerta para o cuidado de não contratar crédito com empresas que não sejam oficialmente autorizadas pelo Banco Central, e lembra que ofertas de crédito fácil podem esconder um golpe (p. 40).
Antes de abrir a conta, portanto:
- anote o nome empresarial e o CNPJ que aparecem nos termos de uso do aplicativo;
- consulte o site do Banco Central para confirmar a autorização da instituição;
- veja qual é o tipo de instituição e quais serviços ela pode oferecer;
- desconfie de qualquer oferta que chegue por mensagem ou ligação pedindo dados ou transferências.
Proteção do dinheiro: o que o FGC cobre
O Caderno explica que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) protegem depositantes e investidores em certas modalidades de investimentos financeiros, e que a proteção é útil em situações como intervenção ou liquidação extrajudicial da instituição (p. 64). Em outro trecho, o Caderno cita CDB, RDB, RDC, LCI, LCA e a caderneta de poupança como produtos protegidos (p. 59).
O ponto de atenção é que a proteção depende do produto e da instituição, e não do fato de o atendimento ser digital. O estudo do Banco Central, por exemplo, destaca que as fintechs de crédito não captam recursos do público. Antes de manter dinheiro em qualquer lugar, pergunte qual produto exatamente você está contratando e se ele está dentro das regras do fundo garantidor, consultando o site do FGC.
O que comparar antes de escolher
O estudo menciona como pontos comuns dos bancos digitais as vantagens em custos de serviços, a facilidade de acesso e a integração com outras conveniências. Em vez de aceitar essas promessas como regra, faça a comparação com critérios objetivos:
- Tarifas: leia a tabela completa. Veja o artigo sobre como reduzir tarifas na sua conta para saber o que pode ou não ser cobrado. Segundo o gov.br, as tarifas devem estar divulgadas em formato e locais visíveis, inclusive em aplicativos e sites.
- Custo do crédito: o Caderno orienta comparar propostas pelo Custo Efetivo Total (CET), e não só pela taxa de juros anunciada.
- Atendimento: confira se há canal de reclamação, ouvidoria e meios de contato claros.
- Segurança: o Caderno recomenda ativar as notificações do aplicativo para ser avisado de cada compra e desconfiar de links recebidos por mensagens (p. 70).
Erros comuns
- Achar que o fato de ser digital garante proteção igual à de um depósito coberto por fundo garantidor.
- Contratar crédito oferecido por mensagem ou ligação sem verificar quem está oferecendo.
- Concentrar todo o dinheiro em um único lugar, sem entender qual produto está contratado.
- Ler apenas a propaganda e não o contrato e a tabela de tarifas.
Perguntas frequentes
Banco digital é mais seguro ou menos seguro que um banco tradicional?
Nenhuma das fontes consultadas faz essa comparação. O que o Banco Central indica é verificar a autorização e entender o tipo de instituição e de produto contratado.
Todo dinheiro na conta digital é coberto pelo FGC?
Não é possível afirmar isso de forma geral. A cobertura depende do produto e das regras do fundo. Consulte o site do FGC e o contrato.
Posso ter conta em mais de uma instituição?
Nada impede, mas cada conta tem suas tarifas e regras. Compare o custo antes de abrir várias.
Fontes
- Banco Central do Brasil, Estudo Especial nº 89/2020: Fintechs de crédito e bancos digitais
- Banco Central do Brasil, Caderno de Educação Financeira (pp. 40, 59, 64, 66 e 70)
- gov.br, com informações do Banco Central: Entenda quais tarifas podem ou não ser cobradas
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação individual de investimento, crédito ou consultoria. A decisão deve considerar o perfil, os objetivos e os riscos de cada pessoa.





